Ex-presidiário chega a Cuiabá e diz que pretende ir até os EUA carregando cruz de 40kg

0
219

Num cenário de tráfego de carros e caminhões da BR-364, sob o intenso sol de Mato Grosso e num asfalto escaldante, caminha Paulo Cícero de Lima, de 56 anos. Sua peregrinação chama a atenção daqueles que cruzam seu caminho pelo fato de estar carregando em seus ombros uma enorme cruz de madeira, de 40 quilos, em sinal de protesto.

O andarilho chegou à Cuiabá nesta quarta-feira (29), cerca de 226 dias depois de sair de Itapevi, no interior de São Paulo. Desde então, já passou por Brasília, percorreu Goiás, esteve em Mato Grosso do Sul, e depois subiu a Mato Grosso. Na quarta-feira (29), ele já estava no Distrito Industrial, e, após colher informações com populares, seguiu pela Fernando Correa.

A Capital de Mato Grosso está longe de ser seu destino final: segundo ele, o que quer mesmo é chegar a Washington, capital dos Estados Unidos, distante ainda, aproximadamente, 6.300 km em linha reta, e 10.000 km passando por sete países que o separam de seu destino.

Como vai fazer para chegar até a capital americana, ou que irá fazer depois disso, nem ele sabe. Sem visto, passaporte e nem mesmo dinheiro, Lima segue sua peregrinação com o auxílio de populares, que o ajudam como podem, como dando água e alimento. Além da cruz, em suas costas ele carrega apenas uma mochila e uma garrafa d”água.

Lima não tem pressa de chegar. Para sempre que é necessário, quando se cansa, e conversa com os populares que se aproximam. Onde passa o peregrino vira atração. Quando o sono bate, é nos postos de combustíveis onde o andarilho se abriga. Lá, também faz sua higiene.

Na noite de segunda-feira (27), ele teria dormindo no Posto da Serra, na saída de Rondonópolis (212 km ao sul de Cuiabá). Já no início da noite de terça-feira (28), por volta das 18h, ele passou por uma das praças de pedágio da Concessionária Rota do Oeste, no quilômetro 383.

O estigma

A longa peregrinação de Lima pelo país é um protesto contra a Justiça (ou a falta dela). Ele é ex-presidiário, acusado de ter matado uma jovem de 21 anos no interior de São Paulo a marretadas, em 1993, e foi liberado do cárcere em 2009 após cumprir pena de 16 anos e passar por mais de 14 presídios. O andarilho jura que não cometeu tal atrocidade.

Os anos que passou preso são recordações difíceis. Em entrevista ao Correio Brasiliense quando passou pela Capital Federal, Lima disse que o fato marcou sua vida de uma maneira negativa. Pai de quatro filhos e oito netos, ele perdeu o contato com os filhos. Mas manteve relação com a mãe e os irmãos, com quem chegou a morar no interior de São Paulo, no município de Jandira.

Ele chegou a conseguir emprego após liberto. Trabalhou como ajudante de serviços gerais em algumas empresas, mas ainda queria Justiça. Fez, então, uma primeira peregrinação, saindo de São Paulo e parando em Trindade, no estado de Goiás. A caminhada durou um mês.

A segunda peregrinação, conforme disse em sua entrevista, foi uma ideia que surgiu após um sonho. “Sou devoto de Maria. Sonhei que, se eu carregasse a cruz, ela intercederia por mim”, ele disse ao site. Ele estaria em busca de justiça, querendo que seu caso seja reaberto e investigado.

Para alcançar a graça, mandou fazer a enorme cruz. O objeto custou cerca de R$200, pesa 40 quilos e possui rodas para ajudar na locomoção. Para continuar a caminhada à noite, Lima incrementou a cruz com adesivos reflexivos, como os usados por motocicletas e caminhões, para ser visto no escuro.

Agora, Lima segue sua caminhada em busca de Justiça. Para preservar a integridade do homem e prevenir acidentes, a concessionária, responsável pela manutenção da BR-163, monitora a peregrinação. Os trechos por onde passa o andarilho, que caminha nos acostamentos, são perigosos devido ao fluxo de veículos. Até o momento, nenhum acidente foi registrado em decorrência da peregrinação.

Fonte: Hiper Notícias

foto: reprodução

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here