Em MT: Investigação das mortes de fazendeiros de Paranatinga foi sedimentada em provas técnicas e periciais

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2019
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Foto: Assessoria/PJC-MT

No início da investigação, a Polícia Civil chegou a trabalhar com a hipótese de que os fazendeiros Tirço Bueno Prado e Joneslei Bueno Prado, pai e filho, que moraram antes em Paranatinga-MT, tinham assassinado o vaqueiro Claudinei Pinto Maciel e foragidos do local. Os dois estavam desaparecidos desde 9 de maio de 2016, da fazenda Sapopema, em Planalto da Serra, e a ausência de testemunhas e o desconhecimento dos autores do crime reforçavam a suposição.

O assassinato do advogado, Sílvio Ricardo Viana Moro, também, à princípio, não havia qualquer relação com os fatos investigados na fazenda. Mesmo porque o corpo dele  ainda não tinha sido identificado. Na ocasião da morte, o advogado possuía uma caminhonete Amarok preta, que ficou na posse do criminoso Mário da Silva Neto, que juntamente com Thiago Augusto Falcão de Oliveira, é apontado como executor do assassinato do advogado, do vaqueiro e dos fazendeiros.

Dias após a morte de Sílvio, os criminosos confeccionaram o contrato de arrendamento com a assinatura falsificada do fazendeiro Tirço Bueno Prado, dando a entender que a “firma” foi reconhecida em Cartório na cidade de Rondonópolis. O documento transmitia a posse da Fazenda, do veículo, do maquinário e do gado.

No contrato, os executores Mário da Silva Neto e Thiago Augusto Falcão de Oliveira, que possuem passagens criminais por homicídios, não aparecem como arrendatários, justamente para não despertar atenção da Polícia. Foi usado como “laranja” a figura de João Edgar da Gama, colocado no contrato como o arrendatário.

O estelionatário, Rodinei Nunes Frazão, assinou na condição de testemunha e assim como Evangelista Matias Sales, que era funcionário de Mário Neto e membro do grupo criminoso.

Carimbo e assinatura falsos

Na ocasião da assinatura no Cartório, em Campo Verde, a Polícia Civil conseguiu imagens do circuito de segurança, restando evidenciado que Rodinei, João Edgar e Thiago estavam presentes. Foi  também verificado que Rodinei chegou dirigindo a Hilux  branca, subtraída da Fazenda Sapopema.

Na posse do contrato de arrendamento, Mário Neto e Rodinei contrataram serviço de frete para retirada de maquinários da Fazenda (um trator, uma grade, colheitadeira e um pulverizador), assim como foi contratada uma “tropa” para retirada das cabeças de gado. Tudo foi acompanhado no local por Thiago e Evangelista.

No dia 16 de junho de 2016, quando estavam na fazenda reunindo o gado para o carregamento, a tropa foi surpreendida pela ex-mulher do senhor Tirço Prado, Cleusa Prado, e por um amigo da família, morador de Primavera do Leste. Diante do desaparecimento do ex-marido e do filho, a mulher veio do Estado do Paraná para verificar a situação da fazenda.

Para justificar serviço na propriedade, Thiago apresentou o contrato com a assinatura falsa, o que foi logo identificada pela mulher a fraude. O fato foi trazido para a investigação da Polícia Civil e no dia seguinte, policiais civis já sabendo do  maquinário subtraído, conseguiram apreender os objetos na cidade de Campo Verde.

Após, a família retomou a posse da Fazenda e promoveu o arrendamento para produtores residentes em Primavera do Leste, regularizando a situação.

Descoberta a falsificação do contrato de arrendamento, confirmada oficialmente pelo Cartório de Rondonópolis, a Polícia Civil reforçou a convicção de que os fazendeiros estavam mortos. Todavia, o suspeito Mário Neto até então não havia aparecido na investigação e ainda não tinha a identificação de Thiago e o estelionatário, Rodinei Nunes, que era a única pessoa mencionada, aparecia como testemunha no contrato.

As testemunhas foram instruídas a jogarem a responsabilidade da fazenda sobre  o advogado Sílvio, que já estava morto e decapitado na região de Bom Jardim, desviando o foco da investigação. Os fazendeiros continuavam desaparecidos.

Foto: Assessoria/PJC-MT

No curso da investigação, a Justiça expediu mandado de prisão temporária contra Rodinei Nunes Frazão, que somente foi localizado e preso em março de 2017. No período da prisão, 30 dias, após uma série de entrevistas e técnicas de interrogatórios, conduzidas pelos policiais da Diretoria de Inteligência, o suspeito passou a colaborar com a investigação, contando o que realmente havia ocorrido na Fazenda, bem como levantou a hipótese de que o cadáver encontrado na região de Bom Jardim pertencesse a Sílvio.

“O momento mais importante da investigação foi à prisão do Rodinei. A partir de uma  série de entrevistas, de diligências de campos e ferramentas de investigação utilizadas, visando comprovar a relação existente entre os suspeitos, confirmamos que realmente eles estavam nos locais e datas em que os crimes ocorreram”, disse o delegado Luiz Henrique de Oliveira.

Também foi possível comprovar que os suspeitos subtraíram e ficaram na posse dos bens pertencentes às vítimas, inclusive, a camionete VW Amarok, pertencente ao advogado.

Caminhonete do Advogado Sílvio

Em julho de 2017, a Polícia Civil representou pela prisão temporária de Mario da Silva Neto, Thiago Augusto Falcão de Oliveira, apontados como executores das quatro mortes, e de Evangelista Matias Sales, alem de mais três pessoas que tinham ocultado a verdade quando ouvidas no ano de 2016.

Finalizada a fase de coleta de provas e depoimentos, ocorreu à vinculação completa de Mário Neto e Thiago Augusto aos homicídios dos fazendeiros e do vaqueiro, com informação segura também a respeito do assassinato do advogado, Sílvio Ricardo Viana Moro.

Pelos quatro homicídios, foram indiciados os executores  Mário da Silva Neto e Thiago Augusto Falcão de Oliveira. Ambos tiveram a prisão temporária convertida em preventiva em 28 de julho de 2017, e além dos assassinatos,  vão responder ainda por subtração de bens e veículos pertencentes às vítimas, ocultação e destruição de cadáver, falsificação de documentos e associação criminosa. Estes últimos crimes também foram atribuídos a Rodinei Nunes Frazão, 48 anos, Evangelista Matias Sales e João Edgar da Gama.

“A equipe que trabalhou nesse caso é de policiais muito experientes, mas todos se impressionaram com o caráter hediondo das mortes”, finalizou o delegado Luiz Henrique.

Foto:Assessoria/PJC-MT

Dever cumprido

Sentimento de dever cumprido é o que fica ao final do inquérito policial de três volumes sedimentado em diversas provas, afirma o coordenador de Inteligência, delegado Luiz Henrique de Oliveira. “Estamos satisfeitos em, através do nosso trabalho, trazer à Justiça indivíduos com tamanha periculosidade. Por outro lado, poder dar uma resposta aos familiares dessas vítimas, que viviam uma angústia muito grande diante desaparecimento após vários meses. Apesar da dor da notícia de uma morte comprovada eles poderão seguir suas vidas, tendo uma definição quanto a seus entes queridos”.

 

 

Assessoria | PJC-MT

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