Coronel investigado diz em gravação que MPE é aliado de grupo criminoso

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FLÁVIA BORGES/

Uma conversa gravada entre o tenente-coronel José Henrique Costa Soares e o ex-secretário da Casa Militar, Evandro Ferraz Lesco, mostra a participação de membros do Ministério Público Estadual (MPE) no esquema de interceptações telefônicas ilegais no Estado, caso que ficou conhecido como ‘Grampolândia Pantaneira’.

A gravação da conversa consta na decisão do desembargador Orlando Perri, que determinou o cumprimento de oito mandados de prisão e 15 de busca e apreensão nesta quarta-feira (27).

Perri classifica a suposta participação de um promotor de Justiça no caso como “aterrorizante”.

“O mais aterrorizante na declaração prestada pela testemunha, Ten.-Cel. PM José Henrique Costa Soares, é a afirmação de que um PROMOTOR DE JUSTIÇA foi designado para ajudar na blindagem do grupo, que seria, inclusive, de confiança do grupo. Realmente, segundo afirmações da provável organização criminosa, os tentáculos dela alcançaram um grupo do Ministério Público, que tinha o interesse de também afastar-me das investigações”, diz Perri.

“Ten.-Cel. Soares: Hein Lesco? É ainda bem que tem o Ministério Público do nosso lado, por que, porra, se não tivesse, tava fodido né [risadas].

Cel. Lesco: … coisa grande.

Ten.-Cel. Soares: Aí tava pior ainda né.

Cel. Lesco: [nome do promotor] enfrentou só que é um contra trinta é foda né, ele falando sozinho.

Ten.-Cel. Soares: É uma desleal

Cel. Lesco: Desleal, desleal…

Ten.-Cel. Soares: É uma briga desleal.

Cel. Lesco: E é bom que o [nome de procurador de justiça] já comprou a briga de novo né.

Ten.-Cel. Soares: Ham, ham.

Ten.-Cel. Soares: Hum, deixa eu te falar, dessa época aí meu irmão eu bati de frente com o Ministério Público. Assim, eu falei: “cadê oh”, fala que houve enriquecimento ilícito, tudo bem, mas cadê?

Cel. Lesco: Agora não, agora o Ministério Público é nosso aliado”.

Operação Esdras

Secretários e ex-secretários de Estado, além de militares, há a presença de prova da materialidade e os indícios suficientes de autoria pela prática dos crimes de organização criminosa, de embaraço à investigação de infração penal que envolva organização criminosa, de coação no curso do processo, de corrupção ativa e denunciação caluniosa, em sua modalidade tentada.

Foram presos o secretário de Justiça e Direitos Humanos, coronel Airton Benedito Siqueira Júnior, o ex-chefe da Casa Militar, coronel  Evandro Lesco, o ex-chefe da Casa Civil, Paulo Taques, o secretário de Estado de Segurança Pública, Rogers Jarbas, a esposa do coronel  Evandro Lesco, Hellen Christy Carvalho Dias Lesco, o segundo sargento João Ricardo Soler, José Marilson da Silva – que era dono da empresa que desenvolveu o equipament

Uma conversa gravada entre o tenente-coronel José Henrique Costa Soares e o ex-secretário da Casa Militar, Evandro Ferraz Lesco, mostra a participação de membros do Ministério Público Estadual (MPE) no esquema de interceptações telefônicas ilegais no Estado, caso que ficou conhecido como ‘Grampolândia Pantaneira’.

A gravação da conversa consta na decisão do desembargador Orlando Perri, que determinou o cumprimento de oito mandados de prisão e 15 de busca e apreensão nesta quarta-feira (27).

Perri classifica a suposta participação de um promotor de Justiça no caso como “aterrorizante”.

“O mais aterrorizante na declaração prestada pela testemunha, Ten.-Cel. PM José Henrique Costa Soares, é a afirmação de que um PROMOTOR DE JUSTIÇA foi designado para ajudar na blindagem do grupo, que seria, inclusive, de confiança do grupo. Realmente, segundo afirmações da provável organização criminosa, os tentáculos dela alcançaram um grupo do Ministério Público, que tinha o interesse de também afastar-me das investigações”, diz Perri.

“Ten.-Cel. Soares: Hein Lesco? É ainda bem que tem o Ministério Público do nosso lado, por que, porra, se não tivesse, tava fodido né [risadas].

Cel. Lesco: … coisa grande.

Ten.-Cel. Soares: Aí tava pior ainda né.

Cel. Lesco: [nome do promotor] enfrentou só que é um contra trinta é foda né, ele falando sozinho.

Ten.-Cel. Soares: É uma desleal

Cel. Lesco: Desleal, desleal…

Ten.-Cel. Soares: É uma briga desleal.

Cel. Lesco: E é bom que o [nome de procurador de justiça] já comprou a briga de novo né.

Ten.-Cel. Soares: Ham, ham.

Ten.-Cel. Soares: Hum, deixa eu te falar, dessa época aí meu irmão eu bati de frente com o Ministério Público. Assim, eu falei: “cadê oh”, fala que houve enriquecimento ilícito, tudo bem, mas cadê?

Cel. Lesco: Agora não, agora o Ministério Público é nosso aliado”.

Operação Esdras

Secretários e ex-secretários de Estado, além de militares, há a presença de prova da materialidade e os indícios suficientes de autoria pela prática dos crimes de organização criminosa, de embaraço à investigação de infração penal que envolva organização criminosa, de coação no curso do processo, de corrupção ativa e denunciação caluniosa, em sua modalidade tentada.

Foram presos o secretário de Justiça e Direitos Humanos, coronel Airton Benedito Siqueira Júnior, o ex-chefe da Casa Militar, coronel  Evandro Lesco, o ex-chefe da Casa Civil, Paulo Taques, o secretário de Estado de Segurança Pública, Rogers Jarbas, a esposa do coronel  Evandro Lesco, Hellen Christy Carvalho Dias Lesco, o segundo sargento João Ricardo Soler, José Marilson da Silva – que era dono da empresa que desenvolveu o equipamento usado nos grampos. Também foi expedido o mandado de prisão contra o major Michel Ferronato – que não foi cumprido.

O esquema

Os telefones foram interceptados com autorização judicial. Os documentos pedindo à Justiça autorização para isso foram assinados pelo cabo da PM, Gerson Luiz Ferreira Correia Júnior, numa suposta investigação de crimes cometidos por PMs. No entanto, foram juntados os telefones de quem não era suspeito de crime algum, numa manobra chamada “barriga de aluguel”.

O caso foi denunciado pelo promotor de Justiça Mauro Zaque. Em depoimento encaminhado à Procuradoria-Geral da República, oele afirmou que, naquele ano, ouviu o coronel Zaqueu Barbosa, comandante da PM à época, dizer que as interceptações telefônicas eram feitas por determinação de Pedro Taques (PSDB). Zaque alega ainda que levou o assunto ao governador, que ficou constrangido, mas não fez nenhum comentário.

O promotor ainda afirmou que alertado o governador sobre a existência de um “escritório clandestino de espionagem” por meio de dois ofícios. O primeiro chegou a ser enviado para o Ministério Público Estadual (MPE), mas a investigação foi arquivada por falta de provas.

O segundo ofício, que o governador alega nunca ter recebido, foi protocolado na Casa Civil, mas cancelado no mesmo dia e substituído por outro, conforme apontou auditoria da Controladoria Geral do Estado.

o usado nos grampos. Também foi expedido o mandado de prisão contra o major Michel Ferronato – que não foi cumprido.

O esquema

Os telefones foram interceptados com autorização judicial. Os documentos pedindo à Justiça autorização para isso foram assinados pelo cabo da PM, Gerson Luiz Ferreira Correia Júnior, numa suposta investigação de crimes cometidos por PMs. No entanto, foram juntados os telefones de quem não era suspeito de crime algum, numa manobra chamada “barriga de aluguel”.

O caso foi denunciado pelo promotor de Justiça Mauro Zaque. Em depoimento encaminhado à Procuradoria-Geral da República, oele afirmou que, naquele ano, ouviu o coronel Zaqueu Barbosa, comandante da PM à época, dizer que as interceptações telefônicas eram feitas por determinação de Pedro Taques (PSDB). Zaque alega ainda que levou o assunto ao governador, que ficou constrangido, mas não fez nenhum comentário.

O promotor ainda afirmou que alertado o governador sobre a existência de um “escritório clandestino de espionagem” por meio de dois ofícios. O primeiro chegou a ser enviado para o Ministério Público Estadual (MPE), mas a investigação foi arquivada por falta de provas.

O segundo ofício, que o governador alega nunca ter recebido, foi protocolado na Casa Civil, mas cancelado no mesmo dia e substituído por outro, conforme apontou auditoria da Controladoria Geral do Estado.

Fonte: Olhandoanoticia

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